
Por Alex Gonçalves
Opinião do site 30/05/2026
A fotografia mais recente da corrida eleitoral rumo ao Palácio da Redenção, na Paraíba, traz um recado nítido das urnas invisíveis das pesquisas: o governador Lucas Ribeiro (PP) começou a desgarrar e ditar o ritmo do jogo político na Paraíba. Ao cravar 30% das intenções de voto no cenário estimulado do Real Time Big Data, Lucas não apenas lidera numericamente, mas estabelece o peso de comandar a máquina do Estado e se descolar do antigo rótulo de mero coadjuvante.
Do outro lado da praça, o sinal amarelo acendeu com força para a oposição. O ex-prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB), aparece com 28%, colado na margem de erro, mas demonstrando nítida dificuldade de expandir sua base para além das fronteiras consolidadas da capital. Já o senador Efraim Filho (PL), estacionado na terceira via com 19%, patina na tentativa de unificar o eleitorado mais conservador sob sua bandeira, amargando uma paralisia que começa a custar caro.
O fenômeno do "estanque" das candidaturas de Cícero e Efraim não é mero acaso. Enquanto o atual governador surfa em uma robusta aprovação de gestão de 63% e atrai prefeitos do interior a passos largos, seus adversários parecem falar para convertidos. Cícero tenta endurecer o tom nas críticas administrativas, mas esbarra em seu próprio teto de rejeição na Região Metropolitana. Efraim, por sua vez, vê o voto bolsonarista pulverizado e encontra barreiras para penetrar nas bases governistas majoritárias.
Se a eleição terminasse hoje, o segundo turno desenharia uma reeleição confortável para Lucas Ribeiro — que venceria Cícero por 39% a 34%, ou Efraim por esmagadores 44% a 26%. A tese de que a máquina estadual dita o favoritismo voltou a se provar real. Para Cícero e Efraim, não basta mais apenas "estar no páreo"; se não recalcularem a rota e buscarem um fato novo, assistirão de camarote à consolidação de uma liderança que parecia distante, mas que hoje avança a passos largos rumo à vitória.