
Publicado por Tribuna10
Redação 17/03/2026 às 16h39
O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou nesta terça-feira (17) que o colegiado não irá recuar diante da pressão da investigação.
O parlamentar disse ter recebido com "total alinhamento" e "maturidade institucional" a decisão do ministro do STF André Mendonça que restringiu o acesso ao material apreendido e impôs maior controle sobre as provas reunidas.
Na avaliação do presidente do colegiado, a medida tem o objetivo de proteger a investigação e preservar o resultado esperado pela sociedade em um dos escândalos que classificou como mais cruéis da história recente do país.
"Essa é uma decisão que protege a investigação, protege a prova e protege o resultado que o Brasil espera. Nós não vamos permitir que esse trabalho seja comprometido por erro, por precipitação ou por qualquer tentativa de desorganizar aquilo que está sendo bem feito com seriedade."
O senador parabenizou Mendonça por decisões que, para Viana, estão "trazendo mais pessoas que estiveram presentes nesse escândalo para o centro da investigação".
Viana reiterou que dentro da CPMI não haverá proteção ou blindagem de "quem tentou transformar o sofrimento do povo em negócio".
Viana sustentou que a CPMI está alinhada com os órgãos de investigação e que as medidas adotadas até agora já começaram a produzir efeitos concretos, o que, segundo ele, se traduz na suspensão de novos consignados no banco C6.
O senador afirmou que o relatório vai citar todos aqueles que o colegiado tem provas seguras de recebimento, lavagem ou ocultação de recursos desviados de aposentados e pensionistas, "independente de quem seja".
"As pessoas que nós temos a confirmação de que recebeu, lavou ou sumiu com dinheiro dos aposentados, estarão no relatório. Independentemente de quem seja."
Vazamento
O senador se comprometeu ainda a apurar o vazamento de dados ligados à quebra de sigilo de Daniel Vorcaro. Segundo o senador, a Polícia Legislativa será responsável por conduzir a investigação. O presidente da Comissão reforçou que elementos de "foro íntimo" não têm utilidade para o colegiado.
"As informações de foro íntimo do Vorcaro com quem quer que seja não interessam à investigação. Isso somente prejudica o nosso trabalho. O que interessa a nós é o relacionamento dele com entes da República, com o sistema financeiro e o esclarecimento de onde foi parar o dinheiro roubado dos brasileiros."
Apesar do aceno positivo à decisão de Mendonça, o presidente da CPMI informou que convocou reunião com a Advocacia do Senado para avaliar uma estratégia jurídica da Comissão. Segundo o parlamentar, a prioridade é cumprir a ordem judicial, mas também buscar a devolução do material necessário à continuidade dos trabalhos.
Viana também manifestou intenção de solicitar esclarecimentos ao gabinete do ministro sobre a devolução do material após a retirada das informações privadas. "Pretendo conversar novamente com o ministro André Mendonça, numa conversa institucional, republicana, o mais brevemente possível, para que a gente tenha o material de volta", afirmou.
Prorrogação
O senador argumentou que interromper a Comissão agora significaria deixar sem resposta as fraudes no INSS, mas reiterou posicionamento confiante quanto à prorrogação.