Política OPINIÃO
Flávio Bolsonaro discute renúncia com o pai após pressão interna explodir no PL
A renúncia, portanto, surge na mesa dos Bolsonaro não como um ato de fraqueza, mas como a última cartada de preservação
20/05/2026 06h51 Atualizada há 2 semanas
Por: Redação
Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro|Foto: Reprodução

Por Alex Gonçalves

Redação em 20/05/2026 às 06h48

A política, em seu viés mais cru, não tolera o vácuo e pune severamente a vulnerabilidade. O que se testemunha nos bastidores do Partido Liberal não é apenas a crise de uma candidatura presidencial, mas o desmoronamento planejado de um projeto que confundiu o prestígio do sobrenome com a imunidade ao escrutínio público. 

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As conversas de tom dramático entre Flávio e Jair Bolsonaro sobre a retirada do senador da corrida eleitoral de 2026 desenham o retrato fiel de um grupo que percebeu, tarde demais, o tamanho do abismo que cavou sob os próprios pés. 

O motor dessa derrocada atende pelo nome de Daniel Vorcaro. A admissão pública de que o filho "01" visitou um banqueiro que utilizava tornozeleira eletrônica para costurar um financiamento de US$ 12 milhões destruiu a narrativa moralista que sustenta o bolsonarismo desde 2018. 

Para o eleitorado de centro, decisivo em qualquer segundo turno, a cena é indefensável. O resultado prático veio rápido: o tombo de seis pontos na pesquisa AtlasIntel e o crescimento da vantagem do atual presidente. 
Diante desse cenário, a fritura interna no PL tornou-se insustentável. 

Deputados e governadores da ala pragmática da direita compreendem que carregar uma candidatura sob suspeita de envolvimento com o submundo financeiro é uma passagem direta para a derrota. A insistência de Flávio em se manter no topo da chapa ameaçava contaminar as bancadas legislativas e os palanques regionais que o partido tanto se esforçou para construir.

A renúncia, portanto, surge na mesa dos Bolsonaro não como um ato de fraqueza, mas como a última cartada de preservação. Jair Bolsonaro sabe que o capital político da família precisa sobreviver para além de 2026. 

Sacrificar a candidatura do primogênito neste momento é o preço necessário para estancar a sangria, acalmar o mercado financeiro e os correligionários, e tentar reorganizar a oposição ao redor de um nome que não precise gastar 19 semanas de campanha explicando áudios de WhatsApp e relações com réus da Justiça [1]. No tabuleiro do poder, às vezes é preciso entregar o rei para não perder todo o reino.