Por Alex Gonçalves
Opinião 17/05/2026 às 11h25
A disputa pela segunda vaga ao Senado na Paraíba deixou de ser uma projeção de intenções para se tornar uma guerra de estruturas. O crescimento contínuo de Nabor Wanderley sobre as bases históricas de Veneziano Vital do Rêgo não é um acidente estatístico, mas o resultado de um movimento de pinça que une o topo do poder federal ao varejo da política municipalista.
Três fatores determinam essa mudança de eixo no estado:
O pragmatismo do "Fator Hugo Motta": Nabor não disputa a eleição apenas como ex-prefeito de Patos. Ele entra no tabuleiro com o peso político de ser pai do presidente da Câmara dos Deputados. Na balança dos prefeitos do interior, o acesso direto ao Orçamento Federal e o poder de articulação do Republicanos em Brasília superam o tradicionalismo do MDB.
Disponibilidade total de território: A renúncia de Nabor ao cargo executivo em Patos foi um panorama cirúrgico. Sem amarras administrativas, ele transformou-se em um candidato em caravana permanente. Enquanto Veneziano gasta energia política tentando blindar seu reduto eleitoral em Campina Grande, Nabor avança de forma agressiva sobre cidades de médio porte, asfixiando os espaços de crescimento do rival [1].
A engenharia do segundo voto: Com o favoritismo de João Azevêdo consolidado para a primeira vaga, a eleição real se afunilou para a segunda cadeira. É nesse ponto que a máquina partidária faz a diferença. A capacidade do Republicanos de costurar alianças cruzadas faz com que dezenas de prefeitos governistas, mesmo aqueles formalmente alinhados a outros espectros, operem o "segundo voto" para Nabor, isolando a candidatura de Veneziano.
A realidade dos bastidores mostra que o favoritismo mudou de mãos. Veneziano não enfrenta apenas um concorrente de peso; ele enfrenta a máquina partidária mais eficiente e capitalizada da política paraibana atual.