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Com aceno ao Bolsonarismo, Ciro lança pré-candidatura ao governo do Ceará

O tom principal do discurso foi a crise na segurança pública cearense. Ciro subiu o tom contra o atual governador Elmano de Freitas

Redação
Por: Redação
16/05/2026 às 20h55 Atualizada em 16/05/2026 às 21h02
Com aceno ao Bolsonarismo, Ciro lança pré-candidatura ao governo do Ceará
Ciro Gomes (Foto: O Povo)

Por Alex Gonçalves 
Redação 16/05/2026 às 20h54

O ex-ministro Ciro Gomes oficializou sua pré-candidatura ao Governo do Ceará neste sábado (16). O evento ocorreu no bairro Conjunto Ceará, na periferia de Fortaleza, considerado um importante reduto eleitoral da direita e do bolsonarismo no estado. Após recusar convites da cúpula nacional do PSDB para disputar a Presidência da República pela quinta vez, Ciro optou por retornar à disputa pelo governo estadual. Ele ocupou o cargo de governador entre 1991 e 1994. O movimento consolida uma drástica mudança de rumo e de alianças na trajetória do político tucano.

Duras críticas à segurança pública e ataques a ex-aliados
O tom principal do discurso foi a crise na segurança pública cearense. Ciro subiu o tom contra o atual governador Elmano de Freitas (PT) e o ex-governador Camilo Santana (PT). Ele criticou o avanço das facções criminosas no estado e a suposta inércia das autoridades atuais.

"Hoje o povo do Ceará vive falando baixo, vive capiongo, olhando para o lado com medo, aterrorizado, humilhado pelas facções criminosas. Sabe quantos delegados de polícia foram contratados nos últimos 10 anos por esses frouxos que governam o Ceará? Nenhum", disparou o pré-candidato no palanque.
Ciro também teceu duras críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), defendendo um "freio no lado apodrecido" da Corte constitucional.

Aliança com bolsonaristas e formação da chapa
O ato político contou com a forte presença de lideranças da direita que historicamente militavam na oposição ao grupo dos Ferreira Gomes. No palanque, Ciro esteve ao lado do deputado federal bolsonarista André Fernandes (PL) e do ex-deputado Capitão Wagner (União Brasil).

A aliança com o PL cearense ocorre mesmo sob protestos da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que em meses anteriores criticou a aproximação da direita com o tucano.

Ciro aproveitou o evento para desenhar o que deve ser a composição de sua chapa majoritária:
Vice-governador: Roberto Cláudio (União Brasil), ex-prefeito de Fortaleza.
Senado: Capitão Wagner (União Brasil) e o Pastor Alcides Fernandes (PL), pai de André Fernandes. Ciro teceu amplos elogios a Alcides pela sua "simplicidade e cultura cristã".

Gafe e confusão com sinal de facção
O momento de maior tensão — que acabou rendendo brincadeiras após o encerramento do evento — ocorreu quando Ciro avistou um eleitor na plateia fazendo um sinal com as mãos. O pré-candidato se exasperou ao microfone: "Meu irmão, você está querendo ser preso? Vai começar aqui. O cara está fazendo o símbolo do Comando Vermelho ali. Prende ele." O eleitor rapidamente desfez a confusão, explicando que o gesto não passava da letra "C", em apoio ao nome do próprio Ciro. O tucano corrigiu-se imediatamente: "Desculpa aí, é que eu sou vigilante. Comando Vermelho aqui vai para a cadeia", retratou-se, sob aplausos e risadas do público.

Cenário eleitoral
Pesquisas de intenção de voto divulgadas recentemente mostram que Ciro Gomes pontua de maneira altamente competitiva no estado. Em uma simulação de segundo turno contra o atual governador Elmano de Freitas, o tucano lidera os cenários, registrando uma vantagem de 46% contra 35% do petista, o que acirra as expectativas para a corrida ao Palácio da Abolição.

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