Por Alex Gonçalves
Opinião 27/04/2026
O “baralho” político paraibano tremeu nesta segunda-feira (27). Em um concorrido evento no Seminário Diocesano de Campina Grande, o empresário Diogo Cunha Lima (PSD) foi anunciado oficialmente como o pré-candidato a vice-governador na chapa de Cícero Lucena (MDB).
O fato sela uma poderosa aliança entre duas forças históricas do estado, mas também traz à tona um questionamento inevitável: o tradicional clã Cunha Lima estaria abrindo mão do papel de protagonista na política da Paraíba?
Para entender o tamanho desse movimento, basta olhar para o retrovisor da política paraibana. Nos anos 90, o cenário era exatamente o oposto: o próprio Cícero Lucena foi vice-governador de Ronaldo Cunha Lima (avô de Diogo) entre 1991 e 1994.
Dessa vez, os papéis se invertem. Com a decisão de Pedro Cunha Lima (irmão de Diogo e presidente estadual do PSD) de não encabeçar uma chapa majoritária este ano, a família optou por indicar um estreante na vida pública para compor a vaga de vice.
O fato de o principal clã político de Campina Grande aceitar a "segunda cadeira" na chapa do ex-prefeito de João Pessoa é visto por analistas como uma mudança de postura pragmática para manter o sobrenome no centro do poder.
Estratégia ou recuo? O que Ddzem os lados
A Visão do Grupo: Cícero Lucena fez questão de afastar qualquer rótulo de "coadjuvante" para o novo aliado. Ao anunciar o nome, Cícero afirmou que Diogo Cunha Lima atuará ativamente como um "segundo governador". Para Diogo, a entrada na política visa somar sua experiência de gestão privada ao setor público.
A Reação da Oposição: Adversários políticos não tardaram em criticar a composição. Nos bastidores e nas redes sociais, parlamentares da ala oposta apontam que a aliança soa como uma tentativa de Cícero de "comprar" a influência histórica dos Cunha Lima para neutralizar a resistência que costuma enfrentar no colégio eleitoral de Campina Grande.
O Peso de Campina Grande na balança
A escolha de um Cunha Lima para a vice ataca diretamente o maior desafio de Cícero Lucena: conquistar a Rainha da Borborema. Diogo carrega consigo o DNA político do pai, Cássio Cunha Lima, e de Ronaldo, figuras lendárias na região.
Com essa jogada estratégica, a chapa MDB-PSD tenta encurralar a oposição e dividir as atenções dos campinenses, que tradicionalmente votam contra projetos encabeçados por lideranças da capital. Se a família Cunha Lima aceitou ser coadjuvante no papel ou se está apenas jogando xadrez para dar um passo maior no futuro, as urnas de outubro é que vão dizer.