
Por Alex Gonçalves
Opinião 24/04/2026 às 06h34
Quem esperava que o tempo e as sucessivas derrotas políticas trouxessem maturidade ou espírito de união ao ex-governador, e pré-candidato a deputado federal, Ricardo Coutinho (PT), se enganou. O que se viu nessa quinta-feira (23) durante a agenda do ministro Guilherme Boulos em João Pessoa, foi a reafirmação de um estilo que o acompanha desde os tempos de Palácio da Redenção: o ranço e a dificuldade em conviver com quem não reza 100% pela sua cartilha.
O episódio da recusa em subir ao palco não foi um ato de estratégia política, mas um "lundun" público. Ao ver a presença do governador Lucas Ribeiro (PP) preferiu o isolamento do "baixo clero" do evento a compor a frente institucional.
O comportamento é o reflexo de um líder que governou a Paraíba com mãos de ferro e que, mesmo sem o poder da caneta, tenta exercer uma autoridade baseada no ressentimento. Desde que deixou o governo, Ricardo parece não aceitar que a política paraibana girou e que novas lideranças ocuparam o espaço que ele acredita ser seu por direito divino.
Fontes presentes no evento relataram que o convite foi feito, mas o "não" de Ricardo veio seco, carregado daquela conhecida truculência que marcou sua trajetória. Para ele, dividir o palco com Lucas Ribeiro e Boulos seria uma "traição" aos seus ideais, mas para os observadores políticos, é apenas a prova de que o ex-governador continua preso ao passado e às suas brigas pessoais.
Enquanto o campo progressista tenta pregar a união para enfrentar adversários comuns, Ricardo Coutinho caminha na contramão. Sua postura rançosa mostra que, para ele, o projeto pessoal e o orgulho ferido valem mais do que qualquer gesto de convergência.
Ao se recusar a subir no palco, Ricardo não apequena o governador; ele apequena a si mesmo, confirmando a imagem de um político que prefere o brilho solitário da sua própria amargura ao diálogo democrático. A Paraíba já conhece esse enredo: começa com truculência e termina em isolamento.