Por Redação
15 de abril de 2026
A rotina de editais na Prefeitura de Monte Horebe, no Sertão paraibano, tornou-se previsível para os concurseiros da região, mas não pelo motivo esperado. Há exatos sete anos, a cidade não abre uma vaga sequer para o quadro de servidores efetivos.
O último grande certame, realizado em 2019 sob a tutela da banca CPCON, é hoje uma lembrança distante de uma estrutura de carreira que parece ter dado lugar a um modelo de gestão baseado na transitoriedade.
Em vez da estabilidade garantida pela Constituição, o que se vê em Monte Horebe é uma engrenagem movida a Processos Seletivos Simplificados (PSS). Apenas nos primeiros meses de 2026, o município lançou editais que somam dezenas de vagas temporárias — desde cuidadores para a educação especial até assistentes de alfabetização e monitores de transporte.
Para a gestão municipal, os processos seletivos são vendidos como uma solução ágil para suprir carências imediatas da máquina pública sem engessar a folha de pagamento a longo prazo. No entanto, para analistas de administração pública, o uso recorrente dessa ferramenta pode esconder um "vício de gestão".
"O contrato temporário deve ser a exceção, para casos de calamidade ou substituições pontuais. Quando ele se torna a regra por quase uma década, você fere o princípio da impessoalidade e impede a formação de um corpo técnico de Estado, que atravessa mandatos", explica o consultor em gestão pública Ricardo Almeida.
O hiato de sete anos gera um efeito dominó que vai além da insegurança do trabalhador. Sem a entrada de novos servidores efetivos contribuindo para o regime próprio de previdência, o déficit atuarial do município tende a crescer, sobrecarregando as contas das próximas décadas.
Enquanto o concurso não vem, a população se divide. De um lado, jovens graduados da região veem-se obrigados a buscar oportunidades em cidades vizinha, do outro, a prefeitura defende a eficácia dos seletores atuais para manter serviços essenciais, como o programa "Cidade Alfabetizadora", em pleno funcionamento.
Promessas e o Ministério Público
Embora o Tribunal de Contas do Estado (TCE-PB) e o Ministério Público tenham intensificado a fiscalização sobre a proporção entre efetivos e contratados em municípios paraibanos, Monte Horebe ainda não sinalizou a contratação de uma nova banca organizadora para 2026.
A pressão agora vem das entidades de classe, que cobram uma atualização do Plano de Cargos e Carreiras antes de qualquer nova tentativa de concurso.
Por ora, quem deseja um crachá permanente terá que continuar aguardando, restando apenas as vagas com data de validade nos editais simplificados.
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