
Por Tribuna10
Redação 13/04/2026 às21h24
Em uma análise detalhada sobre o atual quadro político brasileiro, Luciana Chong, diretora do Datafolha, descreveu um cenário de "quadro aberto", mas extremamente complexo para os principais nomes da disputa.
Segundo Chong, o momento é marcado por um paradoxo: ao mesmo tempo em que há uma fidelidade extrema em certos nichos, a rejeição aos candidatos atinge níveis que dificultam o crescimento nas pesquisas.
Para a diretora do instituto, o maior obstáculo hoje não é a falta de conhecimento do público, mas a barreira do "não voto". "O quadro que a gente vê hoje é bem difícil para os dois lados, com alto índice de rejeição", afirmou. Esse sentimento impede que as campanhas consigam furar a bolha e conquistar o eleitor de centro ou o indeciso, que se sente órfão de opções menos polarizadas.
A Herança de Jair Bolsonaro
Um dos pontos mais surpreendentes destacados por Luciana Chong é a mecânica de transferência de votos dentro da direita. Segundo dados colhidos pelo Datafolha, a migração do eleitorado de Jair Bolsonaro para seu filho, Flávio Bolsonaro, ocorre de forma quase automática.
“A transferência de votos de Bolsonaro para Flávio nas pesquisas é muito rápida”, explica a diretora. Isso indica que o capital político do ex-presidente é altamente transferível e que o sobrenome "Bolsonaro" funciona como um selo de aprovação imediata para sua base, mantendo a competitividade da família independentemente das circunstâncias jurídicas ou políticas do patriarca.
Apesar da força dessa transferência, Chong reforça que nada está decidido. Com a rejeição alta em ambos os polos, a eleição permanece em um estado de equilíbrio instável.
O desafio para os estrategistas será encontrar formas de reduzir a resistência do eleitorado médio, que hoje parece mais motivado a votar "contra alguém" do que "a favor de um projeto".