Por Alex Gonçalves
Tribuna10
25/03/2026
A rodada de março da pesquisa mensal AtlasIntel/Bloomberg, divulgada nesta quarta-feira (25/3), aponta avanço em um cenário altamente competitivo e hoje favorável ao senador Flávio Bolsonaro (PL). Ele aparece tecnicamente empatado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas numericamente à frente, com 47,6% contra 46,6% das intenções de voto, enquanto 5,8% se declaram indecisos. Na comparação mensal,
Flávio Bolsonaro cresce 1 ponto percentual, ao passo que Lula não apresenta variação. Mais do que o número em si, o importante é a trajetória: houve convergência ao longo dos últimos meses, culminando na virada marginal, sinal de mudança no equilíbrio da disputa.
A pesquisa foi realizada pela internet entre os dias 18 e 23 de março, com 5.028 eleitores em todo o país, e tem margem de erro de um ponto percentual, com intervalo de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-04227/2026.
O resultado consolida a tendência pró-Flávio Bolsonaro e a virada numérica na corrida presidencial nos levantamentos da consultoria, em um momento de maior pressão para Lula, que enfrenta desgaste de imagem associado a investigações de desvios envolvendo aposentadorias do INSS em sua gestão e fraude bancária bilionária –episódios que têm impacto político ao envolver partidos e integrantes de seu governo.
Soma-se a isso a repercussão negativa de sua participação no desfile de Carnaval no mês anterior, além de fatores sazonais que costumam pressionar o humor do eleitor no início do ano, como pagamento de taxas e tributos aos governos de todas as esferas e alta de preços, bem como o aumento das incertezas no cenário internacional. Esse conjunto de fatores contribui para um ambiente de “maré baixa” na popularidade do presidente, com reflexos nas intenções de voto.
O levantamento também mostra que Lula deixou de ter vantagem clara e passou a enfrentar um ambiente mais competitivo. Isso aparece não só contra Flávio Bolsonaro, mas também em outros cenários de 2º turno, onde candidatos do campo bolsonarista ficam próximos ou à frente, enquanto Lula mantém vantagem apenas contra nomes menos consolidados . Ou seja, há um reordenamento de preferências, não um resultado isolado.
Como observado em outros momentos, a exposição de complicações de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pode ter contribuído, na margem, para o desempenho de candidatos associados ao bolsonarismo, ao ampliar a mobilização e a solidariedade entre parcelas do eleitorado.