Por Alex Gonçalves
Tribuna10
São os babados políticos que tomam conta da Paraíba para 2026 e ganham um novo e decisivo contorno. O senador Efraim Filho (União Brasil), pré-candidato ao Governo do Estado, colocou sobre a mesa um convite que mexe não apenas com a estrutura das oposições, mas com o núcleo de poder da Rainha da Borborema: a convocação da primeira-dama, Juliana Cunha Lima, para ocupar a vaga de vice em sua chapa.
Juliana, que tem ganhado protagonismo por sua atuação em pautas sociais e sua forte presença ao lado do prefeito Bruno Cunha Lima (União Brasil), é vista como o "nome de consenso" para consolidar a união entre o grupo político de Campina Grande e as bases de Efraim no Sertão e no Litoral. O sobrenome, carregado de tradição histórica, é o ativo que o senador busca para conferir musculatura e identidade regional à sua postulação.
No entanto, o caminho até a convenção não é retilíneo. Interlocutores próximos ao Palácio do Bispo revelam que Juliana vive um dilema estratégico. De um lado, a candidatura a vice-governadora a coloca na linha de frente da política estadual, oferecendo uma vitrine inédita, mas com o risco intrínseco de uma eleição majoritária polarizada. De outro, surge a opção "segura": uma candidatura a deputada estadual.
Candidatar-se à Assembleia Legislativa (ALPB) permitiria a Juliana construir um capital político próprio, garantindo um mandato legislativo e mantendo a influência do clã Cunha Lima na Casa sem a exposição direta de uma derrota no Executivo. Fontes ligadas ao prefeito Bruno Cunha Lima afirmam que o gestor tem dado total liberdade à esposa, embora reconheça que o desfecho dessa escolha ditará o ritmo das alianças para o próximo ano.
O fator Sérgio Queiroz
A indefinição de Juliana mantém outros atores em compasso de espera. O ex-candidato ao Senado, Sérgio Queiroz (Novo), é o nome imediatamente ventilado como o "Plano B" de Efraim. Se Juliana optar pela disputa proporcional (deputada), o caminho para Queiroz na vice se abre, consolidando uma ala mais conservadora na chapa.
Enquanto a primeira-dama não oficializa sua decisão, o mercado político paraibano observa atentamente. A escolha de Juliana Cunha Lima será o fiel da balança: ou ela se torna o rosto da renovação feminina no Executivo, ou se consolida como a nova força legislativa de um dos grupos mais tradicionais do estado.