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Pesquisador do Datafolha é agredido e ameçado com facão por bolsonarista em São Paulo

Após exigir ser entrevistado, Rafael Bianchini atacou o pesquisador com chutes e socos e chegou a ameaçá-lo com um facão

Redação
Por: Redação
22/09/2022 às 11h42 Atualizada em 22/09/2022 às 13h14
 Pesquisador do Datafolha é agredido e ameçado com facão por bolsonarista em São Paulo
Homem agride pesqquisador do Datafolha

Do Tribuna10
Redação, em 22 de setembro de 2022  às 11h377

Um pesquisador do instituto Datafolha foi agredido nesta terça-feira (20) com chutes e socos por um apoiador do presidente Jair Bolsonaro (PL). De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, o ataque aconteceu em Ariranha, no interior paulista. O profissional entrevistava uma pessoa quando o bolsonarista Rafael Bianchini se aproximou e começou a gritar “só pega Lula” e “vagabundo”.

Ele exigia do pesquisador participar do levantamento. No entanto, é prática entre os institutos evitar pessoas que se oferecem para a entrevista. A norma evita que a amostra aleatória seja deturpada.
O ataque começou quando o pesquisador finalizou sua entrevista com o outro morador. O agressor o atingiu pelas costas, derrubando no chão o tablet usado para a entrevista. Quando o pesquisador reagiu às agressões, o filho do bolsonarista também passou a atacá-lo.

O agressores atingiram o profissional com chutes e socos na cabeça, nas costas e nos braços. As agressões só pararam com a intervenção de vizinhos. Bianchini ainda entrou em sua casa e buscou uma peixeira para ameaçar o pesquisador, mas foi contido pelo filho.

Em função dos ferimentos, o pesquisador recebeu atendimento num pronto-socorro da cidade e foi liberado. Além disso, ele registrou um boletim de ocorrência registrado na delegacia da cidade e disse que vai processar Biachini e o fillho na Justiça.

Repercussão
Pelo Twitter, políticos, partidos de oposição e intelectuais condenaram o ataque ao pesquisador do Datafolha. “Eles querem acabar com as réguas do país para esconder a distância entre Lula e o miliciano!”, disse o candidato a deputado federal Guilherme Boulos (Psol-SP). O PT Paulista também manifestou solidariedade ao profissional agredido. “É preciso conter a escalada de ódio e intolerância. O país precisa de paz!”

O professor titular da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (UFBA) Wilson Gomes também se indignou com o caso: “O que falta mais acontecer agora que estamos à mercê de uma espécie de delírio psicótico coletivo dos bolsonaristas?”
Crescentes ameaças

Em entrevista à Folha, a diretora do instituto, Luciana Chong destacou a preocupação com o aumento das hostilidades contra pesquisadores. “O pesquisador estava desempenhando seu trabalho e foi covardemente agredido fisicamente. Nada justifica qualquer tipo de agressão.

Estamos acompanhando um aumento da hostilidade em relação aos pesquisadores e isso é muito preocupante”. Nesse sentido, o Datafolha informou que, somente no dia 13, registrou dez “intercorrências” contra pesquisadores em municípios de diferentes regiões do país.
Resultados
Posteriormente, na última quinta-feira (15), o Datafolha divulgou pesquisa que mostra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT, da coligação Brasil da Esperança), estável na liderança da disputa presidencial, com 45% das intenções de voto.

 Bolsonaro, por outro lado, oscilou um ponto para baixo, ficando com 33%. Considerando apenas os votos válidos – excluindo brancos e nulos –, Lula marcou 48%, mantendo, assim, chance de vitória no primeiro turno, dentro da margem de erro, que é de dois pontos.

O Datafolha divulga amanhã (22) uma nova rodada da pesquisa sobre a disputa presidencial. No mesmo dia, o instituto também vai divulgar levantamentos para os governos de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

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