
Por Alex Gonçalves
Tribuna10/27, 02. 2026 às 21h0
BRASÍLIA – O PT acionou o modo de alerta nesta sexta-feira (27). Em uma reunião fechada da corrente majoritária Construindo Um Novo Brasil (CNB), o presidente da sigla, Edinho Silva, convocou uma "ofensiva total" contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O movimento ocorre após uma sucessão de pesquisas indicarem que o "filho 01" do ex-presidente Jair Bolsonaro consolidou-se como o principal nome da oposição, aparecendo em situação de empate técnico com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para 2026.
O gatilho para a mudança de postura foi o levantamento da Atlas/Bloomberg e do Paraná Pesquisas, que mostram Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Lula em simulações de segundo turno (46,3% contra 46,2%).
Dentro do PT, a avaliação é que a estratégia anterior de "ignorar" Flávio para não lhe dar palanque falhou. Agora, o plano de guerra foca em:
Exploração do Passivo Jurídico: Trazer de volta ao debate público o caso das "rachadinhas" e supostas ligações com milícias, temas que o senador tenta suavizar com uma nova postura "moderada".
Combate à Nova Imagem: Flávio tem feito acenos a públicos historicamente ligados à esquerda, como negros e a comunidade LGBT, além de defender o fim da reeleição. O PT quer carimbá-lo como a "essência do fascismo" para impedir essa migração de votos.
Guerra de Narrativas sobre Corrupção: Com o governo Lula enfrentando desgastes em casos recentes, como o "Caso Master", o PT busca retomar a ofensiva ética atacando diretamente o patrimônio e a vida pública do senador.
Enquanto o PT desenha o cerco, Flávio Bolsonaro trabalha para consolidar sua base. Nesta semana, ele afirmou que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, se ofereceu para coordenar sua campanha no estado. Além disso, o senador tem buscado unidade com figuras da centro-direita, como Ciro Nogueira, para evitar que a fragmentação da oposição beneficie o atual governo.
O mapa para 2026, que antes parecia de favoritismo claro para a reeleição, agora se desenha como uma das disputas mais acirradas da história recente, com o PT admitindo, nos bastidores, que a "ameaça Flávio" é real e imediata.