Por Alex Gonçalves
18 de janeiro de 2026 às 22h11
O iminente racha entre o ex-prefeito Zé Aldemir e a prefeita Corrinha Delfino, em Cajazeiras, não é apenas uma briga paroquial; é um evento que redefine as chances de vitória de nomes de peso na Paraíba. No jogo de "soma zero" da política cajazeirense, o isolamento de um lado significa, obrigatoriamente, o fortalecimento de outro.
QUEM MAIS GANHA
Júnior Araújo (Deputado Estadual) É o grande vencedor do conflito. Ao ocupar o vácuo deixado por Zé Aldemir, Júnior torna-se o principal fiador político da prefeita. A parceria consolidada com Corrinha garante a ele o controle da máquina municipal para sua reeleição, transformando-o no novo "homem forte" do grupo governista.
Chico Mendes (Líder da Oposição)
Como diz o ditado, "em casa onde falta pão, todos brigam e ninguém tem razão". Chico Mendes capitaliza sobre a imagem de desordem no grupo adversário. O rompimento facilita a cooptação de lideranças médias que, insatisfeitas com o racha, podem migrar para a oposição em busca de estabilidade.
João Azevêdo (Governador)
Embora prefira a base unida, o governador ganha um mecanismo de controle. Com dois grupos disputando sua atenção, ele mantém ambos sob sua influência, distribuindo cargos no Hospital Regional e na Gerência de Educação de forma a garantir que nenhum dos dois abandone o projeto estadual.
Zé Aldemir (pré-candidato a deputado estadual)
O prejuízo é severo e imediato. Sem o controle da prefeitura, Zé Aldemir perde o "braço operacional" para sua campanha a deputado estadual. Ao admitir que não tem mais diálogo com Corrinha, ele confessa a perda de sua principal base de sustentação política após décadas de protagonismo.
Corrinha Delfino (Prefeita)
Embora ganhe autonomia e se livre da tutela de Aldemir, Corrinha perde a blindagem histórica. Ela terá que enfrentar críticas de "ingratidão" — uma narrativa potente, além disso vai governar sob o fogo cruzado de um ex-aliado que conhece todos os bastidores de sua gestão.