Por Alex Gonçalves
Opinião do site
A "chapa robusta" da Paraíba, aclamada pela imprensa nacional como o palanque mais forte do presidente Lula no Nordeste, não é fruto do acaso. É o resultado de uma meticulosa engenharia política que consolidou a base governista de João Azevêdo (PSB) e, simultaneamente, criou um "nó" complexo para a oposição.
O cenário atual é de intensa movimentação, marcado por uma divisão clara de forças e pelo ineditismo de uma eleição com três polos definidos, algo raro na história recente do estado:
O Bloco Governista (PSB, Republicanos, PT, etc.):
Este é o grupo que ostenta a chancela direta de Brasília. A articulação de João Azevêdo para acomodar as principais forças em uma chapa majoritária é o seu maior trunfo. A provável formação com Lucas Ribeiro (PP) para o Governo e os próprios Azevêdo e Nabor Wanderley (Republicanos) para o Senado garante capilaridade e acesso à máquina pública e ao governo federal.
A presença de Lula neste palanque é vista como uma blindagem eleitoral em um estado onde o presidente goza de alta popularidade.
O Bloco de Oposição Clássica (União Brasil, PSDB, etc.):
Liderado pelo senador Efraim Filho (União Brasil) e com o apoio do clã Cunha Lima (incluindo o prefeito de Campina Grande, Bruno Cunha Lima), este grupo tenta unificar o campo da direita e centro-direita. Enfrentam o desafio de conciliar projetos pessoais e encontrar um discurso que dialogue com o eleitorado, que vê a base governista já bem articulada.
O "Fator Cícero Lucena" (MDB e aliados):
E aqui entra a peça-chave do tabuleiro. O prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB), que lidera pesquisas de intenção de voto para o governo estadual, rompeu com João Azevêdo e hoje opera um terceiro polo. Cícero, que já declarou voto em Lula para a presidência, busca o apoio do PT nacional, mas se vê em rota de colisão com o palanque já montado de Azevêdo. Ele reúne forças em torno do seu nome, atraindo apoios pontuais como o do deputado Felipe Leitão (Republicanos), que rompeu com a base governista municipal por causa do racha.
O "alinhamento estratégico" mencionado na afirmação jornalística reside na unidade do bloco governista, que evita a dispersão de votos e recursos. A presença de Cícero como um terceiro candidato, embora declare apoio a Lula, na prática, fragmenta o campo que poderia estar unido em torno de uma candidatura única ao governo, o que, ironicamente, pode beneficiar a chapa governista ao dividir o eleitorado que busca uma alternativa a Lucas Ribeiro.
A Paraíba se configura como um dos cenários mais interessantes do país: uma chapa governista robusta e nacionalmente chancelada, uma oposição tradicional que corre atrás da unidade e um ex-aliado (Cícero Lucena) que tenta se viabilizar como uma terceira via forte, todos orbitando, de alguma forma, a figura polarizadora do presidente Lula.