Por Tribuna10
Redação em 08/01/2026 às 06h55
Nesta quinta-feira (08), o Brasil completa três anos desde os ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília. A data, que se tornou um marco na história política recente do país, será lembrada com cerimônias oficiais e atos em defesa do Estado Democrático de Direito. O objetivo das celebrações é reforçar a solidez das instituições e a memória dos eventos de 2023, evitando que episódios semelhantes se repitam.Agradecemos a colaboração
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva liderará uma cerimônia no Palácio do Planalto, prevista para a manhã desta quinta. O evento, intitulado “Democracia Inabalada”, deve reunir ministros, autoridades do Judiciário e representantes da sociedade civil. Paralelamente, o Supremo Tribunal Federal (STF) também realizará uma programação especial, incluindo a abertura da exposição “8 de Janeiro: Mãos da Reconstrução” e debates sobre a preservação da memória institucional.
Apesar do caráter institucional do evento, o ato no Palácio do Planalto não contará com a presença dos chefes do Poder Legislativo. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), informaram que não participarão da cerimônia.
A ausência das lideranças do Congresso ocorre em um momento de tensão entre os poderes, exacerbada pela tramitação do PL da Dosimetria, aprovado pelo Senado em dezembro do ano passado. O projeto, que aguarda sanção ou veto presidencial, propõe alterações no cálculo de penas para crimes contra o Estado Democrático de Direito. A expectativa de que o presidente Lula vete o texto durante ou logo após as celebrações do 8 de Janeiro é apontada como um dos fatores para o distanciamento das lideranças parlamentares neste ano.
Relembre
Os ataques de 8 de janeiro de 2023, que completam três anos nesta quinta, foram o ápice de uma escalada de tensão política. O episódio foi marcado pela invasão e depredação do Congresso Nacional, do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal por apoiadores revoltados do ex-presidente Jair Bolsonaro. Além da invasão, os criminosos também pediam o cancelamento das eleições, intervenção militar, a volta do AI-5 e o impeachment do ministro do STF, Alexandre de Moraes.
As invasões começaram por volta das 15h, quando barreiras policiais foram rompidas na Esplanada dos Ministérios. O recesso parlamentar e forense da época fez com que os prédios estivessem vazios de autoridades, mas o patrimônio público sofreu danos severos, muitos deles irreversíveis. Obras de arte, mobiliário histórico e estruturas físicas foram destruídos.
Investigações posteriores revelaram que os atos não foram isolados, mas precedidos por acampamentos em frente a quartéis e bloqueios de rodovias. A resposta institucional envolveu a intervenção federal na segurança pública do Distrito Federal e a prisão de centenas de envolvidos nas semanas seguintes.