Política ELEIÇÕES 2026
Eleições 2026: A decisão pesada em abril que pode isolar ou consagrar Cícero Lucena
A política paraibana entra em estado de alerta máximo com a aproximação da janela de desincompatibilização em abril.
02/01/2026 12h53 Atualizada há 5 meses
Por: Redação
Prefeito de João Pessoa-PB, Cícero Lucena (MDB)|Foto: Divulgação

Por Alex Gonçalves

Redação em 02/01/2025

A política paraibana entra em estado de alerta máximo com a aproximação da janela de desincompatibilização em abril. O prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB), enfrenta o que analistas chamam de o "dilema da cadeira", uma aposta de alto risco que pode redefinir o mapa de poder no estado.

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1. A consagração nas pesquisas X Isolamento de abril

Cícero vive um paradoxo: Por um lado, os números o favorecem: em levantamentos recentes de dezembro de 2025, ele lidera as intenções de voto para governador com cerca de 37%. Por outro, o calendário de abril impõe uma decisão pesada: 

Aposta na consagração: Ao renunciar, ele valida seu projeto como o principal nome das oposições, após o rompimento definitivo com o governador João Azevêdo (PSB), a quem ele agora acusa de "desrespeito" na montagem da chapa.

Risco de isolamento: Se a candidatura ao Governo falhar, Cícero ficará sem mandato e sem a prefeitura, podendo ser isolado politicamente por um grupo governista que agora o trata como "traidor" e "individualista".

2. O risco de entregar a Prefeitura

O maior ponto de incerteza reside na sucessão municipal: Ao sair em abril, Cícero entrega a prefeitura de João Pessoa ao vice Leo Bezerra (PSB). Embora Leo tenha sido coordenador de sua pré-campanha até pouco tempo, ele permanece fiel ao PSB e ao governador João Azevêdo, tendo inclusive entregado a presidência do diretório municipal a pedido do governador em novembro de 2025. 

O perigo: Cícero corre o risco de ver a máquina administrativa da capital — sua principal vitrine — ser usada contra ele durante a eleição estadual. 

3. Incertezas e o jogo. O cenário é de fragmentação e tensão:

Rompimento consumado: O Palácio da Redenção já trabalha com o nome de Lucas Ribeiro (PP) como sucessor natural, gerando um embate direto entre antigos aliados.

A terceira via: Nomes como o senador Efraim Filho (União) e movimentações para atrair Pedro Cunha Lima mantêm o cenário de 2026 instável e imprevisível. 

Abril de 2026 não será apenas um prazo burocrático; será o momento em que Cícero Lucena decidirá se dá o passo para a consagração estadual sob a bandeira do MDB ou se assume o risco de um isolamento político inédito ao abrir mão do comando da capital em meio a uma guerra de narrativas com o governo estadual.