Política OPINIÃO
Entre o certo e o duvidoso: Por que a sucessão de abril assombra o projeto de Cícero?
Opinião.
26/12/2025 19h27 Atualizada há 5 meses
Por: Redação
Cícero Lucena|Foto: Divulgação

Por Tribuna10

Redação em 26/12/2025 às 19h26

No vai e vem político da Paraíba, o tempo é um aliado cruel. Para o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (PP), o relógio corre em direção a abril de 2026, data limite para quem detém mandato executivo renunciar caso queira disputar as eleições estaduais. O dilema que se impõe sobre a mesa do Paço Municipal não é apenas estratégico, é existencial: vale a pena trocar o "certo" pelo "duvidoso"?

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O Peso da Caneta vs. O Risco das Urnas

Cícero Lucena está no comando da capital, com a máquina pública a pleno vapor e um cronograma de obras que se estende até 2028. Ao renunciar em abril para tentar uma vaga no Governo, ele entrega a "caneta" para seu vice, Léo Bezerra (PSB). No momento em que assina a renúncia, Cícero deixa de ser o protagonista executor para se tornar um candidato dependente de alianças e da memória do eleitor. É o abandono do poder real em troca de uma promessa de poder futuro.

O "Fator Lucas Ribeiro"

O que torna esse cenário ainda mais sombrio para o projeto de Cícero é o crescimento meteórico de Lucas Ribeiro (PP). O vice-governador não é apenas um nome jovem e articulado; ele aparece nas pesquisas recentes "encostando" nos líderes e demonstrando uma capilaridade que assusta os veteranos. Lucas representa a renovação dentro do próprio grupo governista e tem a confiança direta do governador João Azevêdo.

Se as pesquisas indicarem que Lucas tem mais fôlego ou menos rejeição em uma disputa majoritária, Cícero verá sua base de apoio balançar. Políticos, em sua maioria, não abraçam projetos com risco de derrota se houver uma alternativa mais viável no horizonte.

A Prudência do Experiente

Cícero é um sobrevivente da política. Ele sabe que entrar em uma disputa estadual sem o controle da Prefeitura de João Pessoa e com um adversário interno em ascensão é uma receita para o isolamento. A aposta que muitos fazem na sua desistência não é por falta de desejo de ser senador ou governador, mas sim por puro pragmatismo.

O prefeito terá que pensar não duas, mas três vezes. Ficar na prefeitura até dezembro de 2028 garante a ele o controle de seu legado e a sobrevivência política de seu grupo. Sair em abril, sob a sombra de um Lucas Ribeiro cada vez mais forte, pode significar o fim prematuro de sua trajetória no topo do poder paraibano.

No final das contas, entre a glória incerta das urnas estaduais e a segurança do gabinete na Praça Pedro Américo, o instinto de conservação de Cícero pode falar mais alto. Abril de 2026 dirá se ele prefere ser o capitão do seu navio ou um náufrago em um mar de incertezas políticas.