Por Alex Gonçalves
Tribuna10 em 22/12/2025
Enquanto o Brasil projeta uma estabilização após anos recordistas, o calor extremo e a persistência do La Niña colocam os estados nordestinos em alerta máximo para uma nova explosão de mosquitos.
O cenário epidemiológico de 2026 apresenta um desafio geográfico específico para o Ministério da
Saúde.
Segundo projeções de modelos matemáticos e climáticos, o Nordeste brasileiro deve enfrentar um aumento na incidência de dengue, indo na contramão da tendência de queda esperada para as regiões Sudeste e Centro-Oeste. Estima-se que o Brasil registre cerca de 1,8 milhão de casos no total este ano, mas a concentração de novos focos promete se deslocar com força para o litoral e o sertão nordestino.
O "Motor" da Infestação: Calor e Chuva
O principal vilão desta projeção é a combinação de fatores climáticos extremos. O fenômeno La Niña, que deve estender sua influência até o primeiro trimestre de 2026, altera o regime de chuvas no Nordeste, provocando precipitações irregulares mas intensas.
Somado a isso, o verão de 2026 está sendo marcado por temperaturas acima da média histórica. O calor intenso acelera o ciclo biológico do Aedes aegypti:
Ciclo de vida curto: Em temperaturas elevadas, o mosquito passa de ovo a adulto em apenas 7 dias.
Maior voracidade: As fêmeas do mosquito picam com mais frequência em dias quentes para manter sua hidratação e reprodução, aumentando a velocidade de transmissão do vírus.
Imunidade e Novos Sorotipos
Especialistas da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e da Fiocruz apontam que, após os surtos massivos de 2024 e 2025 no Sul e Sudeste, parte da população dessas regiões adquiriu imunidade aos tipos mais comuns do vírus. Já no Nordeste, a circulação de sorotipos menos frequentes nos últimos anos, como o DENV-3, encontra uma população com baixa imunidade, o que facilita a propagação de novos surtos.
Estados como Pernambuco, Ceará e Bahia já iniciaram o ano de 2026 com planos de contingência reforçados. O foco das prefeituras mudou para o uso de tecnologias como drones para identificação de focos em terrenos baldios e o incentivo à vacinação, que agora alcança um público maior.
"A previsão de 2026 não é uma sentença, mas um aviso. O mosquito se adaptou ao clima urbano, e a nossa resposta precisa ser mais rápida que o seu ciclo de vida", alerta a Vigilância Epidemiológica regional.
Com a previsão de um ano de muitos mosquitos no Nordeste, a prevenção doméstica continua sendo a arma mais eficaz. O Ministério da Saúde recomenda:
Vistoria semanal: Dez minutos por semana são suficientes para eliminar criadouros em vasos, calhas e caixas d'água.
Uso de repelentes: Essencial em áreas de alta infestação, especialmente ao amanhecer e entardecer.
Vacinação: Manter o esquema vacinal atualizado conforme as diretrizes do Portal do Ministério da Saúde.