
Tribuna10
Por Alex Gonçalves 28/11/2025
OPINIÃO- A decisão da federação PT/PCdoB/PV na Paraíba de marchar unida para as eleições de 2026 solidifica o bloco e estabelece uma condição clara: qualquer chapa majoritária (governo/senado) apoiada por eles deve, obrigatoriamente, ceder uma vaga para a federação. Isso os coloca em uma posição estratégica de negociação no cenário político estadual.
Como Fica: Cenários e Projeções
A união da federação tem implicações diretas, principalmente na relação com o atual grupo governista liderado pelo governador João Azevêdo (PSB), que busca a reeleição ao Senado em 2026.
Fortalecimento do Poder de Negociação
A federação age como um bloco coeso, o que aumenta seu peso nas articulações. Não se trata mais de partidos isolados, mas de uma força conjunta que exige espaço na chapa majoritária, seja para o governo, vice ou senado.
Essa unidade evita a dispersão de votos proporcionais (deputados estaduais e federais) e fortalece a nominata dos três partidos, ajudando a superar a cláusula de barreira.
Pressão sobre o Governador João Azevêdo
A principal questão é o alinhamento da federação ao projeto nacional do Presidente Lula. João Azevêdo é um aliado de Lula na Paraíba, e o deputado federal Luiz Couto (PT) já formalizou apoio à sua candidatura ao Senado em 2026, sinalizando um caminho de união.
Para que o apoio da federação se concretize, Azevêdo e seu grupo político (que inclui PSB, PP, Republicanos, precisarão acomodar a reivindicação do PT/PCdoB/PV por uma vaga na chapa majoritária. Isso pode gerar tensões internas na base governista, que já tem seus próprios pleitos e pré-candidatos.
Protagonismo do PT e Possíveis Nomes
O PT, como maior força da federação, busca ser protagonista. Nomes como o do deputado federal Luiz Couto são mencionados como potenciais representantes para uma vaga majoritária. A federação espera que o PT ocupe esse espaço para capitalizar sua base de apoio.
Oposição e o "Lulismo"
A federação impôs a condição de apoiar apenas o candidato ao governo que for leal a Lula. Isso pode isolar ainda mais a oposição, liderada por nomes como Pedro Cunha Lima (PSD) e o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB), que terão dificuldade em atrair esse bloco de centro-esquerda.
Projeção do Cenário
A projeção indica que a federação deve, sim, marchar unida, mas a costura final da aliança majoritária na Paraíba ainda dependerá de intensas negociações nos próximos meses.
O cenário mais provável é a integração da federação à base de apoio do governador João Azevêdo, desde que suas exigências por espaço na chapa sejam atendidas, consolidando um forte palanque para Lula no estado em 2026.
Caso as negociações com Azevêdo falhem, a federação teria a opção de lançar uma chapa própria, o que, embora improvável, é uma possibilidade para manter a coerência programática e a unidade do bloco. No entanto, o alinhamento nacional e o acordo já existente com Luiz Couto apontam para a permanência na base governista.