Geral OPINIÃO
O vazio do poder em Boqueirão de Piranhas e ausências políticas inflamam novos protestos
Essa falta de interlocução política direta tem um efeito prático e simbólico devastador. Na prática, a voz da comunidade perde força em Brasília
21/11/2025 20h39
Por: Redação
A população não aceita mais ser espectadora passiva da diminuição do volume do açude que garante sua sobrevivência

Por Alex Gonçalves 
Tribuna10 em 21/11/2025 

OPINIÃO DO SITE- A crise hídrica que se desenha na bacia do Açude Engenheiro Ávidos (Boqueirão de Piranhas), no Sertão da Paraíba, transcende a estiagem e ganha contornos de uma crise política. 

A comunidade ribeirinha, que clama por transparência na gestão das águas e cobra medidas para conter o esvaziamento do reservatório, sente-se duplamente penalizada: pela seca e pelo que consideram um descaso institucional.

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O principal ponto de ebulição no momento é a ausência notável de representantes federais – especificamente os deputados Wilson Santiago e o senador Veneziano Vital do Rêgo – nas reuniões cruciais onde se discute a operação da Transposição do São Francisco e a vazão do açude.

Essa falta de interlocução política direta tem um efeito prático e simbólico devastador. Na prática, a voz da comunidade perde força em Brasília e nos gabinetes da Agência Nacional de Águas (ANA). 
Simbolicamente, a ausência alimenta a percepção de que, passado o período eleitoral, as prioridades dos parlamentares migram do sertão para a capital federal. A "falta de interesse político", como denunciam os líderes comunitários, é vista como um vácuo de poder que enfraquece a luta local.
O resultado dessa frustração já tem data marcada: novos protestos estão sendo organizados. 

A população não aceita mais ser espectadora passiva da diminuição do volume do açude que garante sua sobrevivência. A mensagem dos ribeirinhos é clara: a segurança hídrica é uma questão de vida ou morte, não um palanque secundário. Para que a crise não evolua para um conflito social e político ainda maior, será necessário que os representantes ausentes transformem suas cadeiras vazias em presença e ação efetiva, antes que a paciência da comunidade, assim como a água do açude, chegue ao limite.