Por Tribuna10
Tribuna10 em 15/04/2023 às 19h41
Epaminondas Gomes de Oliveira era um camponês maranhense interessado por política. No final da década de 1950, ele se tornou militante do Partido Revolucionário dos Trabalhadores (PRT). Por sua atuação, acabou virando alvo da Operação Mesopotâmia, ação secreta realizada pelo Comando Militar do Planalto com apoio do Centro de Informações do Exército (CIE).
De acordo com o relatório final da Comissão Nacional da Verdade (CNV), após torturas sofridas no Pelotão de Investigações Criminais (PIC), o homem faleceu em Brasília, em 1971. A família, entretanto, só conseguiu se despedir de Epaminondas em 31 de agosto de 2014, quando os restos mortais foram devolvidos.
Dias depois do sepultamento do camponês maranhese, a filha do marechal Antônio Bandeira recebia dos cofres públicos o seu direito à pensão militar. Atualmente, a mulher embolsa uma remuneração bruta de R$ 35.524,40 por conta da morte do pai. Bandeira foi comandante da 3ª Brigada de Infantaria, no Comando Militar do Planalto, e apontado pela CNV como um dos responsáveis pela morte e tortura de Epaminondas.
Para a comissão, Bandeira é um dos autores na “cadeia de comando do órgão envolvido no desaparecimento e na morte” do militante. Apesar disso, o general, como outros membros das Forças Armadas, nunca foi condenado formalmente por qualquer crime relacionado à ditadura militar.
Fora dos quartéis, Antônio Bandeira desempenhou um papel fundamental no Departamento da Polícia Federal (DPF). No comando da instituição, o militar ordenou a abertura de inquérito contra o advogado criminalista Henrique Cintra Ferreira de Ornellas por “ligação à subversão”.
O advogado acabou morrendo na prisão do Comando Militar do 8ª Grupo de Artilharia Anti-Aérea, Brasília, em 1973. Na época, a causa da morte divulgada foi suicídio. Entretanto, laudo pericial da CNV, realizado em abril de 2014, nega a tese dos militares e concluiu o caso como homicídio.
Além de Bandeira, outros envolvidos são indicados como autores da morte, como o general Olavo Vianna, comandante da 11ª Região Militar do Comando Militar do Planalto. Sua herdeira recebe uma pensão militar desde janeiro de 1997. Fora a remuneração bruta mensal de R$ 33.952, a mulher ganhou uma bonificação natalina de R$ 17.818 em novembro de 2022.
Comando militar do CIE
Na época em que o camponês maranhense Epaminondas Gomes de Oliveira estava preso em Brasília, o Centro de Inteligência do Exército (CIE) era comandado pelo general de brigada Milton Tavares, que é citado, no relatório final da CNV, 97 vezes como autor responsável por crimes como desaparecimento, tortura e morte.
Outro militar responsabilizado por crimes da ditadura foi o general Hugo Abreu, que gera uma pensão de R$ 36 mil para as filhas. Para a CNV, ele foi autor de 42 crimes entre 1964 e 1985.