Por Tribuna10
Redação em João pessoa- 25/07/2026 às 15h56
Na base de um clima que misturou forte apelo emocional, discursos radicalizados e problemas de organização, o Partido Liberal (PL) oficializou, neste sábado (25), a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República. O evento, realizado no Mercado Pago Hall, na Arena Pacaembu, foi marcado pela tentativa de transferir o espólio político do ex-presidente Jair Bolsonaro — atualmente em prisão domiciliar — para o seu filho mais velho.
O ponto alto do discurso de Flávio foi o recado direto aos seus opositores e ao Poder Judiciário, elevando o tom em relação ao seu habitual perfil conciliador. "Eu garanto, eles não vão nos intimidar, porque eu posso ser mais calmo, mais sorridente, mais tranquilo e moderado, mas aqui tem sangue de Bolsonaro”, disparou o agora candidato, arrancando aplausos entusiasmados da militância presente.
O "Bolsonaro de IA" e o apoio internacional
Sem a presença física do pai, a campanha do PL recorreu à tecnologia. Um vídeo produzido por Inteligência Artificial simulou um pronunciamento de Jair Bolsonaro, no qual o ex-presidente afirmava estar "preso e calado por uma decisão arbitrária" e pedia que os apoiadores recebessem Flávio "de braços abertos". O evento também contou com o apoio internacional do presidente argentino Javier Milei, que viajou a São Paulo para defender a "onda azul" conservadora na América Latina, além do governador paulista Tarcísio de Freitas, que colocou Flávio como o único capaz de honrar o legado do pai.
Apesar da festa no palco, os bastidores da convenção expuseram as fragilidades da candidatura. Flávio foi oficializado sem um nome para a vaga de vice e sem alianças nacionais formais com o Centrão, já que partidos de peso como PP, União Brasil e Republicanos optaram pela neutralidade. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro cancelou sua ida presencial de última hora, enviando apenas um vídeo protocolar gravado, evidenciando que as feridas das recentes crises familiares ainda não cicatrizaram totalmente.
Do lado de fora, a desorganização gerou empurra-empurra e tumulto, com grades derrubadas por apoiadores que tentavam entrar no espaço superlotado. Além disso, jornalistas brasileiros e estrangeiros foram barrados pela assessoria do PL sob a alegação de falta de espaço, gerando protestos das equipes de imprensa que cobriam o evento.