
Por Alex Gonçalves
Tribuna10 em 26/06/2026
O Maior São João do Mundo sempre foi o palco dourado das articulações políticas na Paraíba, mas em 2026 o Parque do Povo promete testemunhar um enredo que vai muito além do debate regional. A confirmação da vinda do senador Flávio Bolsonaro (PL) a Campina Grande, marcada para o dia 4 de julho, carrega o peso de uma clara operação de salvamento de imagem. Não se trata apenas de uma agenda de pré-campanha para o Nordeste; trata-se de uma tentativa desesperada de mudar o foco dos holofotes após o racha público e constrangedor que expôs as vísceras do clã Bolsonaro.
A recente e ruidosa crise com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro mudou o tom do jogo. Ao vir a público denunciar que vinha sendo "humilhada" e tratada "como idiota" pelo grupo político de Flávio, Michelle não apenas expôs uma disputa feroz pelo espólio político da direita, mas feriu o núcleo do discurso conservador de "família unida". Para Flávio, que já vinha patinando nas pesquisas de intenção de voto após os desgastes provocados pelas investigações financeiras ligadas a Daniel Vorcaro, o episódio com a madrasta foi o estopim de um isolamento que precisava ser quebrado.
É sob a sombra desse desgaste que a viagem a Campina Grande foi desenhada. Ao pisar no São João ao lado de aliados de ferro como o senador Efraim Filho, o deputado Cabo Gilberto e o prefeito Bruno Cunha Lima, Flávio tenta acionar um "botão de reset". O plano é óbvio: trocar o ambiente tóxico de Brasília e a lavagem de roupa suja familiar pela energia vibrante do Parque do Povo, pela recepção calorosa de correligionários e pelas imagens de um Nordeste festivo e acolhedor.
Contudo, o eleitorado — e a mídia — não são ingênuos. O Parque do Povo, com sua multidão rotativa e o calor das torcidas políticas locais, funciona como um termômetro impiedoso. A vinda de Flávio Bolsonaro será o verdadeiro teste de fogo para a sua pré-candidatura ao Planalto. Resta saber se o som das sanfonas e o calor do povo de Campina Grande serão suficientes para abafar os ruídos de uma crise familiar e política que parece estar longe do fim. O palanque junino está montado, mas a dança das cadeiras na direita está mais imprevisível do que nunca.